Reserva de emergência tem uma única função: estar disponível, inteira, no dia em que algo dá errado. Rentabilidade aqui é coadjuvante. Com esse critério na mesa, sobram dois finalistas na renda fixa brasileira — o Tesouro Selic e o CDB de liquidez diária. Vamos comparar os dois sem torcida.
O que os dois têm em comum
Ambos rendem perto da taxa básica de juros: o Tesouro Selic acompanha a Selic, e os CDBs de liquidez diária costumam pagar um percentual do CDI, que anda colado nela. Ambos sofrem a mesma tabela regressiva de imposto de renda (de 22,5% até 15% sobre o rendimento, conforme o prazo) e IOF nos primeiros 30 dias. No longo prazo, com percentuais equivalentes, o resultado é parecido.
Onde o Tesouro Selic ganha
Garantia: o título é uma dívida do Tesouro Nacional — o mesmo emissor da moeda. Não depende de limite de cobertura: R$ 100 mil ou R$ 10 milhões têm a mesma proteção.
Previsibilidade: a liquidez é diária e a recompra é garantida pelo próprio Tesouro. O dinheiro solicitado em dia útil cai na conta no dia seguinte (D+1).
Simplicidade: um único produto, sem precisar comparar emissores nem percentuais do CDI.
Onde o CDB pode ganhar
Liquidez imediata: muitos bancos resgatam CDB de liquidez diária na hora, inclusive à noite e no fim de semana — enquanto o Tesouro opera em D+1 e só em dias úteis. Para emergência de verdade, isso conta.
Rentabilidade um pouco maior: há CDBs pagando mais de 100% do CDI. A proteção vem do FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição (com teto global de R$ 1 milhão renovável). Dentro desse limite, o risco prático é baixo — mas um eventual pagamento pelo FGC leva algum tempo, o que pode travar justamente o dinheiro da emergência.
Os erros que anulam a escolha certa
CDB de banco pequeno pagando 120% do CDI, mas sem liquidez diária, não serve para reserva — o prêmio existe porque o dinheiro fica preso. Fundo com taxa de administração alta comendo o rendimento, também não. E poupança, que costuma render menos que ambos, só se justifica pela conveniência.
Resposta curta
Os dois cumprem o papel. Uma combinação comum é manter uma parte em CDB de liquidez imediata de banco sólido, para o imprevisto de sábado à noite, e o restante em Tesouro Selic, pela garantia soberana. Use os simuladores do Hub para comparar cenários com números reais — lembrando que isto é conteúdo educacional, não recomendação: a escolha depende do seu caso.